quinta-feira, outubro 08, 2026

Registro de sessão: 22/09/26

Pessoal, mil perdões pelo sumiço novamente. É difícil manter constância com qualquer hábito que não recompense monetariamente nesses tempos complicados, mas não pensem que me esqueci do meu mundinho virtual. Tive algumas semanas de bloqueio criativo seguidas por semanas de desgosto existencial, mas hoje eu finalmente consegui redigir alguma coisa e resolvi postar por aqui também. 

A seguir, um relato sobre minha sessão de RPG com o mestre Yannick Yoran, dono do blog Guégona, cujo objetivo era o resgate do tesouro de um poderoso clérigo afiliado aos lobisomens que habitam Mauatã. Espero que gostem!

 

"    No 48º dia da primavera, um audaz bando de aventureiros, tendo sido convocados pelo insaciável Antônio, se arriscam a retornar para Mauatã em busca do tesouro de Tercanotrix. Planejam partir: Mystilion, Antônio, Cassiano, Lúria e Quipuia. Mas é claro que eles não poderiam partir sem antes fazer alguns preparos... Como, por exemplo, encantar Tercanotrix e seu braço direito para um interrogatório.

Desde que ouviu sobre a existência de um tesouro num local agora com a proteção e ordem vulnerável, Antônio não consegue se conformar que tamanha opulência tinha sido deixada para trás. Agora, mais do que nunca, ele acha necessário tomar tudo aquilo que possa ser útil para a proteção do domínio de Homeria — e o resgate de moedas, tapeçarias e até possíveis itens mágicos é considerado essencial pelo jovem ladrão. Confiante de que já tem experiência para cumprir missões sem demandar o deslocamento da totalidade de Grahana-Sandhih, o menino convida para se unir ao grupo aqueles que possuem meios mágicos, de forma a não prejudicar o restante do grupo com a falta dos que precisariam se ausentar. Para além disso, Antônio enxerga a expedição como uma oportunidade de treinar seu ladrão destaque da Guilda, Quipuia. 

    Mystillion volta com a notícia de que a dupla definitivamente não é dinâmica, e as informações obtidas não foram de muita utilidade (apesar dos feitiços de encantamento terem sido bem-sucedidos!), por exceção do seguinte: 1. O tesouro de Tercanotrix se encontra em seus aposentos; 2. Anatecí, Sampil, Pliamão e Oketã, as figuras para quem eles clamam por ajuda em suas preces, são vampiros; 3. Samedu era um vampiro muito antigo, mas esquecido por razões desconhecidas. 

A título de curiosidade, foram preparados não um, não dois, não três, mas DEZ feitiços de encantar pessoa no dia do interrogatório para garantir sucesso; o que acabou atrasando a ida em mais um dia, mas resultou também em rolagens satisfatórias. O braço direito de T foi encantado na primeira tentativa, já seu líder, apenas na quinta. 

    No 50º dia, então, partem à Mauatã em busca das possíveis recompensas que muito prometem. A viagem até o local é tranquila: o bando repete a estratégia de partir de madrugada para chegar no período da manhã. Porém, no momento em que os cavalos são postos para descansar em segurança, é avistado (e avista o bando de volta) um grupo de 11 licantropos, com ao menos 2 deles já familiares a Milo e Antônio. Eles não estavam felizes, uma vez que parte dos seus componentes haviam sido carbonizados no último encontro. Se divertindo com o paralelo, Mystillion dispara a primeira bola de fogo do dia no grupo infeliz, dizimando 7 deles. Os 4 restantes deram um trabalhinho considerável, consequência natural da sua sede de vingança, e acabaram conseguindo causar danos significativos aos aventureiros, além acabar com a vida de Antônio. As mordidas foram muitas, mas a luta não podia ser abandonada. O tesouro precisava ser resgatado, senão de nada valeria a viagem sequer, e nosso amigo teria sucumbido sem seu "último desejo" ser realizado. 

Espero que estejam gag. Ainda tem mais pela frente. 

    Algumas curas mágicas e curativos depois, os aventureiros adentraram o covil do inimigo. Lá, se depararam com ratos, que foram rapidamente mortos ou acovardados. Mais tarde, enfrentaram também uma árdua batalha contra uma gigante serpente e alguns ghouls malditos. Por enquanto, mais nenhum companheiro sucumbiu em batalha. É observado que o interior do covil se encontra semelhante à forma como foi deixado, agora com as marcas de batalha da expedição anterior. Os mínimos detalhes sobre a rota feita pelo bando não são lembrados, mas, conforme avançam, encontram um gigantesco homem-touro. Este é derrotado com certa facilidade, seja por vantagem numérica quanto por boas decisões em campo, contudo, agora o grupo está danificado e, a esse ponto, não existem mais alternativas de cura. 

Admito que, aqui, eu como jogadora já estava baqueada e considerando tudo isso uma péssima ideia. Mas tive de ser forte para que o relato pra vocês valesse a pena, então me recompus como pude, dado o imenso luto pelo meu personagem primogênito. Meu maior desgosto ainda era pelo Antônio ter caído tão cedo na expedição, tornando perda de tempo o retorno para que fosse devidamente ressuscitado com o auxílio de Khaos, terminando assim a sessão sem o resgate do tesouro. Mas o restante dos personagens ainda estava de pé, e, já que me arrisquei, queria correr atrás da oportunidade de petiscar!

    Posteriormente, explorando algumas celas, o grupo avistou uma pequenina e magérrima criatura humanóide, com todos seus membros amarrados na parede. Amedrontado, se apresentou como o gnomo Guino de Vilipulim, relatando ter sido capturado por lobisomens a mando do Tercanotrix. Estava esquecido ali sem ser alimentado desde o rapto de T, mas agora seria resgatado e estava imensamente grato. Todos prontamente se põem a recuar por hoje, evitando que ocorram mais fatalidades e garantindo a fuga do pobre Guino para Pé do Morro, de onde voltaria para casa. O grupo passa a noite do 50º dia da primavera junto aos cavalos, carroças e o corpo do, agora morto, senhor Antônio. 

Esse tipo de encontro inesperado é sempre uma grande alegria para mim, reforçando informações já sabidas ou simplesmente retomando boas memórias de jogatinas passadas. Fiz questão de mencionar ao Guino que Mystilion sabe tocar flauta gnoma (presente de outro amigo de Vilipulim para Antônio), e ele ficou muito contente de saber que estaria sendo resgatado por criaturas camaradas! 

    O descanso dos aventureiros foi interrompido de madrugada por uma patrulha de guardas da Janaurda, amiga próxima de Saufaterax. Mystilion prontamente se apresentou e confirmou sua proximidade do mago pela similar aparência jovial — entretanto, a lábia do nosso conhecido e peculiar amigo não encantou o guarda, que mesmo assim ofereceu curas mágicas ao grupo como espécie de suporte por compromisso ao seu senhor. Ademais, foi possível o descanso sem outras interrupções. No amanhecer, foi conjurado um feitiço de invisibilidade com raio de 3 metros por M e, assim, a entrada no covil com maior facilidade e discrição. Uma coisa que ninguém te avisa sobre a invisibilidade: até mesmo um raio de 3 metros não é páreo para um canto enfeitiçante que te compele a correr com toda sua vontade atrás do inimigo mágico... Por sorte ou por sabidez, Mystilion e Quipuia não foram afetados pela magia. Já Lúria e Cassiano não tiveram a mesma sorte e, enfeitiçados, não conseguiram lutar contra a criatura com cara de mulher mas asas e corpo de águia que as atacava sem piedade. Unindo forças, M e Q foram capazes de desmoralizar e despistar a besta e salvar seus colegas que, apesar dos ferimentos, ainda estavam dispostos a batalhar. Após a contenção de danos do grupo, deu-se continuidade à exploração do local, que o levou para uma caverna com uma piscina natural em seu centro. Nas bordas mais rasas da água, haviam objetos miscelânios, dentre eles armaduras, espadas e escudos, todos aparentando ser de grande valor ou utilidade. A situação toda cheirava a problema, então o bando optou por manter o foco no tesouro e deu meia volta. 

Mais tarde, eles descobririam que os objetos eram sim de muito valor e alguns até mágicos, porém, todos aqueles que tentaram recuperá-los foram puxados para dentro da água e nunca mais vistos. Às vezes é preciso saber avaliar quais riscos valem a pena e quais não, rs. 

    Em algum momento das muitas voltas pelo covil, o grupo topou com uma porta que faria toda a expedição ter valido a pena. Utilizando a lente de Brigita para enxergar através, Mystilion viu atrás da porta um guarda distraído e aproveitou a oportunidade para encantá-lo e tirar proveito de sua parceria. Dito e feito, mas, como toda boa ideia do Milo até agora parece ser seguida de um desastre, uns 4 guardas viram o que aconteceu, avistaram os invasores de seu ninho e foi dado início a uma batalha mano-a-mano, porque as táticas de convencimento do nosso amigo astromágico também não são seu forte. No meio da confusão, um guarda correu e, ao final da perseguição, estavam todos em uma sala repleta de covas. O maldito fujão abriu uma delas e dali saiu um vampiro (cujo nome me falha a memória, mas era um dos 4 que ocupavam a mente de Tercanotrix) que foi capaz de reduzir a constituição de Cassiano e Quipuia pela metade antes de ser derrotado, bem como liberar a alguns metros dali diversos lobos sanguinolentos. Apesar da vitória do bando sob os dois inconformados, o gosto na boca ainda era amargo pelo peso dos danos e pela previsão de alcance dos lobos. Mesmo assim, como sempre, "the only way out is through". Com o guarda encantado, foi mais fácil encontrar os aposentos de Tercanotrix, apenas não a tempo de escapar completamente dos lobos que os perseguiam. Contudo, agora com um guia temporário, os ambiciosos saqueadores conseguiram entrar em uma sala e se posicionar de forma a abrir sua porta apenas o suficiente para exterminar os lobos. Agora sem perigos iminentes e podendo observar melhor o cômodo em que se encontram, percebem que, finalmente, estão nos aposentos de Tercanotrix junto aos seus estimados tesouros. 

Nesse momento, já estavam dando umas 8h de sessão. O caminho até aqui foi custoso e até trágico, porém aqui estamos enfim. É claro que ainda havia a pequenina questão de voltar em segurança agora carregando peso, mas tudo é mais fácil quando se tem a previsão de recompensação. 

    Nos aposentos do sequestrado, foram encontrados: tapetes, cálices, uma adaga cerimonial, tapeçarias, um pergaminho de proteção contra a magia e um baralho mágico, agora sob posse de Mystilion, único representante de Grahana-Sandhih restante em vida na expedição. Após algum tempo considerando a possibilidade de fazer uso do baralho ali mesmo visando libertar todo o grupo, M concluiu que efeitos mágicos eram imprevisíveis demais para contar com eles num momento tão crucial da aventura. Portanto, todos são ordenados a partir, e assim o fazem. Antes de conseguirem sair com segurança, ao passar perto duma caverna, Lúria, Cassiano, Quipuia e Mystilion dão de cara com vermes voadores e sugadores de sangue. Durante o combate, Cassiano vem a sucumbir também, adicionando ao peso que teria de ser levado pela equipe. Não ocorrem mais encontros e, dessa forma, é concluída a jornada de retorno à Mauatã e resgate do tesouro de Tercanotrix no dia 53º da primavera no vilarejo de Pé do Morro. 

É isso, gente. Dois profissionais mortos, alguma riqueza recolhida e um grupo de aventureiros bastante cansados, mas mais experientes. Eu considero o saldo positivo e, honestamente, enquanto redigia este relato acabei por me conformar com a morte do Antônio. Eu o reencarnaria just for the fun of it pra ver o efeito dessa magia, mas não o ressuscitaria. Meu headcanon é de que agora Quipuia viverá como o talentoso pupilo de Toninho, mantendo viva sua heróica reputação e seguindo seus passos."

Quero saber o que vocês acharam do desenrolar dessa história toda! No mais, até a próxima ;) 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Registro de sessão: 22/09/26

Pessoal, mil perdões pelo sumiço novamente. É difícil manter constância com qualquer hábito que não recompense monetariamente nesses tempos ...